Falta de incentivo ameaça futuro do trigo
Preços pagos pelo produto não está cobrindo os custos de produção; maior parte do produto colhido na safra atual continua nas mãos dos produtores porque os moinhos compram apenas o necessário
A falta de incentivos para a triticultura preocupa os produtores de trigo do Norte do Paraná que já pensam em outras alternativas de cultura para o período de inverno Um dos principais problemas enfrentados atualmente pelo setor é a falta de preços para o produto, que, em alguns casos, não cobrem nem os custos de produção O assunto foi discutido no seminário ''O futuro do trigo'' realizado ontem de manhã no auditório Milton Alcover da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina
O analista técnico e econômico Robson Mafioletti, da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) diz que nem mesmo a redução da colheita de trigo em alguns países da Europa refletiu de forma positiva no mercado brasileiro Segundo ele, a maior parte do produto colhido na safra atual continua nas mãos dos produtores porque os moinhos compram apenas o necessário para suas necessidades e o governo federal oferece poucas alternativas de compra
O maior problema na opinião de Mafioletti não é exatamente o preço baixo, em torno de R$ 25,00 a saca, mas a falta de liquidez gerada pela falta de comercialização Ele diz que a Ocepar ainda não tem dados sobre o plantio da próxima safra, mas já trabalha com uma estimativa da redução da área em torno de 5 a 10%
O economista Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) falou sobre a nova classificação determinada pelo Ministério da Agricultura e que vai exigir maior empenho dos produtores para melhorar a qualidade do trigo brasileiro ''O governo está indicando que vai apoiar muito o trigo que dá pão e que dá farinha para melhorador, e aquele trigo brando, que ele até comprava em outras épocas, não vai mais comprar a partir do ano que vem'', afirma A nova classificação deve entrar em vigor em julho de 2011
Para o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, ''falta vontade política para ajudar a produção de algo tão essencial quanto o trigo'' ''Este ano tivemos uma boa safra, mas ainda estamos com 75% da produção para vender'', afirma Segundo ele, a falta de incentivo é tanta que há produtores pensando em substituir o trigo pelo milho safrinha ou outras culturas
O produtor Alfredo Gnann reclama que o preço pago pelo governo não paga nem os custos de produção e que este ano, ao invés de reajustar, ainda reduziu o preço do trigo Para ele, a nova classificação não será problema desde que o governo assuma a compra do produto ao menos pelo preço de garantia
O seminário ''O futuro do trigo'' é uma promoção da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, dos sindicatos rurais e do Sistema Ocepar, com o apoio do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) O evento foi motivado pelo novo padrão oficial de classificação do trigo brasileiro, que entra em vigor em julho de 2011, e deve ser normatizado pelo Ministério da Agricultura até o final do ano A classificação oficial serve para definir critérios de qualidade do trigo nas políticas públicas de apoio à comercialização do governo federal previstas na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como as Aquisições do Governo Federal (AGF) e os Prêmios de Escoamento da Produção (PEP) O seminário aconteceu ontem também em Ivaiporã Será realizado hoje em Campo Mourão e Assis Chateaubriand, e amanhã em Toledo e Cascavel
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